sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Globo Online: Rodada Internacional pode gerar US$ 287 milhões em exportações


Mariana Schreiber - Globo Online

RIO - A primeira Rodada Internacional de negócios realizada na Rio Oil & Gas promete gerar US$ 287 milhões em exportações de bens e serviços brasileiros nos próximos 12 meses, informou nesta quinta-feira a Organização Nacional das Indústrias de Petróleo (Onip), organizadora do encontro comercial junto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A Rodada reuniu 43 empresas fornecedoras brasileiras que ofertaram seus produtos para nove petroleiras da América Latina - Pemex (México); Petroecuador (Equador); Petrolera Monterrico (Peru); Petrobras Argentina, Pan American, Tecna e Repsol (Argentina), Petrobras Colombia e Ecopetrol (Colômbia).


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Desde a Rio Oil & Gas de 2004, a Rodada de Negócios nacional é realizada em parceria com o Sebrae. Segundo o superintendente da Onip, Bruno Musso, a Rodada Internacional foi organizada com objetivo de ampliar a cultura exportadora da indústria brasileira de petróleo. Ele explicou que nessa primeira edição os encontros foram focados na indústria latino americana porque na região há importantes mercados produtores de petróleo ou de gás, mas que não têm capacidade industrial para garantir o suprimento dos insumos necessários. Os encontros entre representantes das petrolíferas e dos fornecedores duram 20 minutos cada e são agendados previamente. Eles servem principalmente para estabelecer contatos entre as empresas, que podem depois marcar reuniões para efetivamente fechar contratos.


- São encontros focados em negócios. Nós identificamos os potenciais compradores de interesses, mandamos para eles as informações dos produtos e serviços que as empresas nacionais que participam do projeto oferecem e eles escolhem com quem querem falar. Se nossa intenção é gerar negócio, gerar exportação, é muito mais fácil isso acontecer com base no que o comprador tem interesse. Mas a gente aproveitou a presença deles aqui e apresentou as demais empresas também - explicou Musso.


"A participação de empresas brasileiras é quase inexistente na Colômbia. Estive o tempo todo aqui incentivando que elas busquem esse mercado". 




O gerente de compras da Petrobras Colômbia, Alexandre Santa Catharina, se reuniu com 18 empresas fornecedoras.


- Eu vim aqui com uma lista de carência de fornecedores e conversei com muita gente, mas não se fecha negócio dessa forma. A Petrobras faz compras por meio de licitações. Em momento nenhum a gente pensou em fazer negócios, mas em estabelecer contatos. A participação de empresas brasileiras é quase inexistente na Colômbia. Estive o tempo todo aqui incentivando que elas busquem esse mercado como um todo e não apenas a Petrobras - disse Catharina, explicando ainda que o mercado colombiano de petróleo movimenta US$ 7,3 bilhões por ano. 




A Multialloy, que produz peças em ligas especiais, se reuniu com seis petrolíferas estrangeiras e acredita que em no máximo seis meses começará a exportar para Petrobras Argentina e Repsol Argentina. Atualmente, a empresa já é fornecedora de outras companhias argentinas e também exporta para EUA, Dinamarca e Alemanha.


- A rodada é muito importante, pois só conseguimos falar com diretores se viajarmos até os países em que eles estão. Por email, dificilmente conseguimos negociar com eles diretamente e fica mais difícil fechar contratos - explica Fernando Pereira, diretor comercial da Multialloy.


"O foco prioritário das rodadas de negócios é dar visibilidade aos produtos e serviços das pequenas e médias empresas".






Para Musso, as exportações brasileiras têm enorme potencial de expansão no setor de petróleo. Segundo superintendente da Onip, as seis empresas que a Petrobras tem na América do Sul (em Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina) adquirem no mercado brasileiro cerca de 8% do seu total de compra. Ele estima que dá para elevar esse percentual para 20% no caso da Petrobras e que as demais petroleiras devem comprar ainda menos no Brasil.


- Tem um espaço de crescimento absurdo - afirmou, acrescentando: - O foco prioritário das rodadas de negócios é dar visibilidade aos produtos e serviços das pequenas e médias empresas. Talvez algumas delas jamais imaginassem que pudessem sentar para negociar com diretores de grandes petroleiras.


Expectativa é que Rodada Nacional gere contratos de R$ 176 milhões

A Rodada de Negócios nacional da Rio Oil & Gas deste ano também está com boas perspectivas para os próximos 12 meses. A expectativa de negócios chega a R$ 176 milhões para o período. Participaram do evento 23 empresas compradoras e 197 ofertantes que se dividiram em 800 encontros nos dois dias de reunião. Na última edição da feira, em 2006, foram gerados R$ 100 milhões de expectativas de negócios.


Segundo o supervisor de compras da Global Industries Brasil, Edson Silva, a rodada é importante para a empresa fechar contratos com fornecedores nacionais e consegui cumprir com as exigências legais que obrigam as petroleiras a comprar de fornecedores brasileiros. A Global Industries Brasil participou de 36 reuniões e já está com negócio praticamente fechado para aquisição de parafusos de uma empresa de Vitória.


- Um fato interessante é que também temos escritório em Vitória e parte das empresas com quem conversamos eram de lá e nós nunca tínhamos escutado falar nelas. Isso demonstra como realmente é importante você estar num evento que direcione os contatos. É diferente de você receber um fornecedor no seu stand. Você não sabe qual é a qualidade do produto, se a empresas tem a parte fiscal toda em dia. Na rodada é feita uma filtragem que facilita muito e dá mais segurança em saber que estamos adquirindo um produto de uma empresa confiável - disse Edson Silva.